PITANGUEIRAS
E SUA HISTÓRIA
Professor Plácido Adani
No século XVIII a criação de
gado provocou a fundação de várias
cidades no interior de São Paulo, particularmente
na zona norte, a qual dá acesso ao triangulo
mineiro.
Pitangueiras é uma cidade, cuja fundação
não foge às demais cidades da região,
pois como as outras, seus primeiros passos foram
dados em virtude da criação do gado
naquela zona.
O gado foi a causa principal, mas indireta da fundação
de nossa cidade, porque a rigor Pitangueiras fundou-se
pela necessidade de pouso dos comerciantes que abasteciam
as regiões de Bebedouro, Jaboticabal e Barretos.
Essas cidades já começavam a projetar-se
como grandes centros de criação e
de distribuição, mas dependia do comércio
de outras cidades, quais sejam Santos, São
Carlos e São Paulo. O Comércio com
São Carlos se fazia por terra, isto é,
em carros de boi ou tropas de burros. A longa distância
que separa São Carlos daqueles centros e
a morosidade da viagem obrigava os carreiros e tropeiros
a pousar em vários pontos do caminho, e ao
lado do Mogi-Guaçú existia um desses
necessários pousos. O comércio com
São Paulo ou Santos se fazia parte por estrada
de ferro da Companhia Paulista, cujos trilhos chegavam
até Pirassununga e daí para o rio
Mogi-Guaçú até Pontal. De Pontal
as mercadorias chegavam aos centros de distribuição
por carros de boi ou tropas. No trajeto entre Porto
Ferreira e Pontal, havia vários portos e
dentre eles, dada a grande região do estado
que iria abastecer, o de Pitangueiras ou de Passagem,
como era conhecido.
De ambos os modos pelos quais chegavam as mercadorias,
os carreiros e tropeiros necessitavam pousar perto
do porto, mas esse pouso não poderia ser
junto do rio por causa da maleita. O pouso se fazia
numa clareira, no caminho de Jaboticabal, onde era
nativa a pitangueira e por isso o porto fluvial,
o córrego e a região toda ficou conhecida
pelo nome de Pitangueiras.
No pouso aparecem os primeiros comerciantes em cujas
casas encontrava-se de tudo, desde agulha até
a rede de dormir.
A notícia dos primeiros comerciantes que
se instalaram em Pitangueiras é posterior
à elevação do núcleo
à categoria de Freguesia. Daqueles primitivos
que vieram comerciar com os tropeiros e carreiros
não se tem notícia precisa alguma,
mas como aconteceu nesses casos, existiram.
O documento mais antigo que se conhece da história
de Pitangueiras é o da doação
de terras a São Sebastião pelo casal
mineiro Manoel Felix e Sua mulher Ana Batista de
Morais. Esse documento é a escritura de doação
passada em 27 de Julho de 1858 no cartório
da então Freguesia do Carmo de Jaboticabal.
O casal doou 80 alqueires ao patrimônio do
Santo e logo foi erguida a Capela de São
Sebastião construida de esteios de aroeira
e paredes de taquara com enchimento de barro. Essa
capela, mais tarde torna-se a matriz local. Existia
ainda por volta de 1902, quando foi dado início
às obras da atual Matriz.
Em 1881, ao lado da Capela viviam 800 pessoas.
Em 19 de Julho de 1881, a Lei Provincial n. 138
elevava o núcleo à categoria de Freguesia.
Por essa época existiam na Freguesia quatro
comerciantes, sendo dois deles italianos, um português
e um mineiro, e a vida da freguesia tinha por principais
atividades a pecuária e a agricultura.
Em 1891, os negociantes mais importantes eram; José
Simão, Fernando Picerni, Gerardo Nuble Marinelli,
João Batista Marsiglia e sua mulher Carmem
Primola Marsiglia. A única farmácia
era de propriedade de Joaquim Cabral de Vasconcelos,
pai de Manuel Cabral de Vasconcelos. João
Batista Marsiglia veio para aqui em 1886 e seus
filhos André e Paschoal (maestro e músico)
em 1891.
Até 1890 o principal comércio da terra
era com São Carlos e Araraquara e fazia-se
por Jaboticabal, com 2 dias de viagem de trole.
Em 02 de Junho de 1892 foi feita nova doação
de terras à São Sebastião com
a área de 5 alqueires, pelo casal Joaquim
Moço e sua mulher Ana Joaquina de Morais.
Pitangueiras, em 17 de agosto de 1892 pela lei n.
65 é elevada a Distrito e pela lei n. 152,
no dia 6 de junho de 1893 recebia foros de Cidade,
cujo território fora desmembrado do de Jaboticabal.
O Primeiro Presidente da Câmara de Pitangueiras
foi o Cel. Ernesto Alves de Carvalho, no período
de 15 de Setembro de 1893 a 25 de Junho de 1896.
A instalação da nova cidade deu-se
só no ano de 1894 para, no ano de 1911, no
dia 24 de fevereiro, pela lei n. 1232, de 22 de
Dezembro de 1910, veio instalar-se a comarca.
As primeiras autoridades da Comarca foram: Dr. Matheus
da Silva Chaves Júnior, Juiz de Direito;
Dr. José Veríssimo Filho, Promotor
Público; e o Dr. Franz de Lima, Delegado
de Polícia.
Eram vereadores municipais, o Cel. José Walter
da Silva Porto, Major Gabriel Custódio da
Silveira, Major Ernesto Caetano de Souza, Capitão
Olavo de Souza Lima e o Capitão José
Pedro Guimarães. O Prefeito, cargo que na
época recebia o nome de Intendente, era eleito
pelos vereadores, os quais eram naturalmente candidatos.
Nessa época de município o primeiro
Intendente eleito foi o Capitão Olavo de
Souza Lima. O Major Gabriel Custódio da Silveira
exercia o cargo de secretário da Câmara,
e o Major Jeremias de Souza Lima, era o recebedor
de impostos. A inspeção escolar era
exercida pelo Major Ernesto Caetano de Souza.
O cargo de Juiz de Paz e Casamentos era eleito nas
mesmas eleições que elegiam os vereadores,
e este cargo coube ao Sr. Mauricio de Melo.
A Câmara Municipal funcionava em uma sala
grande ao lado da cadeia velha, na Praça
de Haya, onde hoje é Clube Comercial.
O primeiro Vigário da Paróquia de
São Sebastião foi o Cônego Joaquim
Augusto Vieira, natural do Estado da Bahia.
Em 1906, a Prefeitura do município de Pitangueiras
expediu uma concessão para que fosse construída
uma pequena ferrovia que ligasse a sede do município
à estação de Pitangueiras da
Paulista, que ficava à margem direita do
rio Mogi, dentro do município. Pelo que se
pôde concluir, com a construção
da linha, e a abertura de uma estação
na sede, a estação da Paulista passou
a se chamar Passagem, e a linha marcou também
a abertura da estação de Pitangueiras,
isto por volta de 1908. Em 1912, a E. F. São
Paulo-Goiaz iniciou suas atividades e encampou a
antiga ferrovia em sua linha, que começava
em Passagem, na Paulista, e seguia até Viradouro,
depois de passar por Ibitiúva. Em 1916, esse
trecho foi unido, entre Ibitiúva e Bebedouro,
até a outra linha da mesma empresa. Em 11/01/1927,
o trecho da SPG entre Passagem e Bebedouro foi vendido
à Companhia Paulista, que, quase imediatamente,
retificou-o e alargou sua bitola, transformando-a
então em parte da sua nova linha-tronco.
Essa data é a que a Paulista coloca em seus
relatórios como sendo a da inauguração
da estação, portanto, não é
correto. A estação foi, então,
RECONSTRUIDA, em 1929, embarcando e desembarcando
passageiros até março de 1998, quando
o serviço de trens de passageiros, neste
trecho entre Araraquara e Barretos, acabou.
O progresso de Pitangueiras prendeu-se ao comércio
até quando se deu o prolongamento da Estrada
de Ferro São Paulo-Goiás, o que provocou
a paralisação do desenvolvimento da
cidade, já que, como vimos, sua fundação
deu-se em virtude de uma troca comercial entre centros
de produção e centros de distribuição.
Com a construção da estrada de ferro
acima, o motivo da existência de Pitangueiras,
comercialmente, desaparece, já que as mercadorias
passaram a serem transportadas por aquela via.
Autores: Professor Plácido Adami
Professor Sidnei Rodrigues
Professor Francisco da Silva Borba
Reunido
por Manoel Carlos Buzzo
========================================================
OS
GRANDES FAZENDEIROS E AS GRANDES FAZENDAS NA COLONIZAÇÃO
DE PITANGUEIRAS.
-
Os fazendeiros que mais trabalharam no começo
da povoação foram: Manuel Félix,
Joaquim Moço, Joaquim e Antônio Merico
(pai e filho), Tenente-Coronel Leolino Xavier Cotrim,
João e José Moraes (que eram irmãos
de Joaquim Moço por parte de mãe),
Major Antônio Rodrigues de Amorim e seu sogro
João Pinto, Antônio Francisco Cristiano
(conhecido por Antônio Mulato - o grande latifundiário
e personagem do início da colonização
de Pitangueiras), Paulino, Antônio Carlos
e Carlos Prudêncio (filho, pai e irmão),
Francisco Ribeiro, José Ignácio de
Godoy, José Ribeiro de Aguiar, Inácio
Francisco Franco e Joaquim Cascalho. As mais importantes
fazendas do município (na virada do século
XIX até os anos de 1920/30) foram: Santa
Judith, de Antunes & Marinho; Santa Marina,
de Antônio Cotrim; Jacutinga, de Bernardina
Cândida de Jesus (sucessora de Antônio
Francisco Cristiano - o Mulato); São Jorge,
de Jorge de Mello & Irmão; São
José, de José Ribeiro de Aguiar; Maria
Zalina, de João Batista Cotrim; Paiol, de
João Ribeiro Clé; São Sebastião,
de Marcelino Alves Alcântara; Boa Vista, de
Manuel Fellipe; Três Barras, de Lancashire
General Investiment Company Limited; e, Santa Vitória,
do Dr. João Pedro Antunes."
Autor: Professor Daniel J. Rodrigues
========================================================
HISTÓRIA
DA FERROVIA EM PITANGUEIRAS
Estrada
de Ferro São Paulo - Goiaz (período
de 1908-1927)
Cia. Paulista de Estradas de Ferro (período
de 1927-1971)
FEPASA (período de 1971-1998)
Estação PITANGUEIRAS - Município
de Pitangueiras, SP -
Linha-tronco - km 363,425 (1958) SP 1227
Data de construção do prédio
atual: construído em 1929
HISTORICO
DA LINHA: A linha-tronco da Cia. Paulista
foi aberta com seu primeiro trecho, Jundiaí-Campinas,
em 1872. A partir daí, foi prolongada até
Rio Claro, em 1876, e depois continuou com a aquisição
da E. F. Rio-Clarense, em 1892. Prosseguiu por sua
linha, depois de expandi-la para bitola larga, até
São Carlos (1922) e Rincão (1928).
Com a compra da seção leste da São
Paulo-Goiaz (1927), expandiu a bitola larga por
suas linhas, atravessando o rio Mogi-Guaçu
até Passagem, e cruzando-o de volta até
Bebedouro (1929), chegando finalmente a Colômbia,
no rio Grande (1930), onde estacionou. Em 1971,
a FEPASA passou a controlar a linha. Trens de passageiros
trafegaram pela linha até o final de 2000.
A
ESTAÇÃO: Em 1906, a Prefeitura
do município de Pitangueiras expediu uma
concessão para que fosse construída
uma pequena ferrovia que ligasse a sede do município
à estação de Pitangueiras da
Paulista, que ficava à margem direita do
rio Mogi, dentro do município. Pelo que se
pôde concluir, com a construção
da linha, e a abertura de uma estação
na sede, a estação da Paulista passou
a se chamar Passagem, e a linha marcou também
a abertura da estação de Pitangueiras,
isto por volta de 1908. Em 1912, a E. F. São
Paulo - Goiaz iniciou suas atividades e encampou
a antiga ferrovia em sua linha, que começava
em Passagem, na Paulista, e seguia até Viradouro,
depois de passar por Ibitiúva. Em 1916, esse
trecho foi unido, entre Ibitiúva e Bebedouro,
até a outra linha da mesma empresa. Em 11/01/1927,
o trecho da SPG entre Passagem e Bebedouro foi vendido
à Companhia Paulista, que, quase imediatamente,
retificou-o e alargou sua bitola, transformando-a
então em parte da sua nova linha-tronco.
Essa data é a que a Paulista coloca em seus
relatórios como sendo a da inauguração
da estação, o que não é
correto. A estação foi, então,
reconstruída., em 1929, embarcando e desembarcando
passageiros até março de 1998, quando
o serviço de trens de passageiros, naquele
trecho entre Araraquara e Barretos, acabou. Esteve
completamente abandonada, no centro da cidade, mas
em 2 de julho de 2004 a estação foi
entregue restaurada pela Prefeitura.
Fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br/p/pitangueiras.htm